Se não tiver cautela, Cavaco Silva arrisca-se a ser o 1º. Presidente da República com fortes hipóteses de não ser eleito para um 2º. mandato.
As probabilidades de ganhar à 1ª. volta são poucas, pois com a dispersão de votos poderá não conseguir os mais de 50% dos votos expressos, necessários.
Numa segunda volta teríamos de novo um, tal como em 1986, um confronto esquerda/direita.
Como é sabido em 1986 esse confronto foi favorável à esquerda com a eleição de Mário Soares, contra Freitas do Amaral.
José Sócrates convocou para o próximo dia 10 de Maio uma reunião do Secretariado do PS, para desencadear o processo das Presidenciais.
Sócrates até teria mais vantagem em apoiar a reeleição de Cavaco Silva, mas os constrangimentos que têm vindo a ser criados à sua governação, não lhe permitirão forçar o PS a confirmar esse apoio.
Mesmo a contragosto O PS e José Sócrates preparam-se, assim, para seguir Manuel Alegre.
Pelos vistos o prof. Cavaco Silva esqueceu a experiência da sua primeira coabitação, quando ele era 1º. Ministro e Mário Soares Presidente da República, eleito com os votos dos social-democratas.
É que Mário Soares assegurou primeiro o apoio do PSD, e só depois é que passou a actuar como contrapoder ao Governo. Foi dessa forma que pôs em prática a sua estratégia, de levar o PS de novo ao Governo, nas legislativas de 1995, cumprindo o “sonho” que era do PSD de Sá Carneiro , “um presidente, um governo, uma maioria”.
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