Seis meses após ter ganho o PSD, Pedro Passos Coelho está num sufoco.
Talvez mais por demérito próprio conduziu o partido a um “beco sem saída”.
Pressionado por todos os quadrantes políticos e pela sociedade civil, não lhe restará outra alternativa senão viabilizar o Orçamento de Estado para 2011, dando assim o seu acordo implícito ao aumento de impostos que havia jurado não aprovar.
O PS e o Governo conseguiram, com muita habilidade, transferir o ónus desta decisão também para os ombros de Passos Coelho.
Os olhos da opinião pública nacional e da União Europeia estão agora fixados no líder do PSD, que por imperativo nacional terá, no mínimo, que optar pela abstenção.
Até a Banca, habitualmente tão discreta, foi em romaria à rua de S. Caetano (sede do PSD).
A Comissão Europeia, na pessoa do seu presidente Durão Barroso, não para de mandar recados ao seu partido, para viabilizar o orçamento.
Alguns dos históricos do PSD não resistiram e já fizeram também o seu apelo.
De facto nunca se viu tanta esquizofrenia à volta de um orçamento como este ano.
É certo que temos de reduzir o défice, dos 9,3 % (2009), para valores abaixo dos 4,6% do PIB, até 2012, e emagrecer a nossa dívida externa que não para de crescer, 82,1 % do PIB previsto para 2010 e 86,6 % para 2011.
É verdade que os nossos credores estão em “alerta vermelho”, desconfiam da nossa solvabilidade, e que, por isso, passou a haver maior dificuldade em financiar a economia.
As taxas de juro da dívida pública atingiram níveis incomportáveis.
A ameaça de termos de novo o FMI paira sobre as nossas cabeças.
Realmente está em causa a credibilidade externa do País.
Mas, o actual líder do PSD já em Maio deu provas de responsabilidade, sobrepondo o interesse nacional ao partidário, quando viabilizou o PECII.
Voltará certamente a fazê-lo desde que lhe dêem espaço para negociar e evitar o “Xeque-mate”