quarta-feira, 5 de maio de 2010

O estranho caso “PT/TVI”, e a “mentira” de José Sócrates


Há já mais de 45 dias que os deputados da Nação tentam, laboriosamente, resolver este intrincado mistério.

Já antes outra “equipa”, a Comissão de Ética, tentou mas nada terá conseguido.

Ora, o dito “caso”, da PT/TVI, mais não é do que intenção de compra, pela Portugal Telecom (PT), de uma participação de 30% da Média Capital, detentora da TVI e de outros activos.

Não se sabe ao certo quando começou, faz parte do planeamento estratégico da PT o investimento na área dos conteúdos, mas sabe-se como acabou. O negócio foi “abortado”, com aparente prejuízo, pelo menos, para a imagem da PT.

A mentira do Primeiro Ministro (PM) terá ocorrido no Parlamento no dia 24 de Junho.

Confrontado com a notícia publicado no jornal “i”, José Sócrates “nega ter qualquer informação sobre o negócio”.

Nesse mesmo dia, numa estação de televisão, a líder do PSD acusou o PM de “mentiroso”.


O PM mentiu ou não mentiu ?;

Sabia formal ou informalmente do dito negócio ?;

Se sabia, então porque negou ?.


É claro que sabia, mas não o podia dizer. É o chamado “dever de reserva”.

Confirmar era condenar desde logo a operação em curso. O que, de facto, veio a suceder por força das pressões da comunicação social, dos políticos e do Sr. Presidente da República, que no dia seguinte pediu públicos esclarecimentos à PT.

Os negócios não se podem fazer na “praça pública”, os investidores não publicam previamente as suas intenções de compra e/ou de venda, era só o que faltava.

É bom lembrar que o capital social da PT está disperso em bolsa, nacional e estrangeira.

As participações qualificadas detidas por empresas ou grupos nacionais andarão apenas pelos 30% ( incluindo já os 7,3 % da CGD).

O Estado detém realmente 500 acções da categoria A - Golden share - que lhe confere direitos especiais. Mas existe uma forte contestação no seio da UE no sentido da sua proibição, acabando-se assim, por essa via, com a ingerência nas Empresas.

Em conclusão;

O Primeiro Ministro não mentiu, omitiu;

A compra da participação na Média Capital era um bom negócio para a PT;

Não se realizou devido às pressões da comunicação social, dos políticos, e do Presidente da República;

A Comissão de Inquérito, ao fim e ao cabo, serve para continuar a “cozinhar Sócrates em lume brando”, de preferência até depois das Eleições Presidenciais.

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