Há já mais de 45 dias que os deputados da Nação tentam, laboriosamente, resolver este intrincado mistério.
Já antes outra “equipa”, a Comissão de Ética, tentou mas nada terá conseguido.
Ora, o dito “caso”, da PT/TVI, mais não é do que intenção de compra, pela Portugal Telecom (PT), de uma participação de 30% da Média Capital, detentora da TVI e de outros activos.
Não se sabe ao certo quando começou, faz parte do planeamento estratégico da PT o investimento na área dos conteúdos, mas sabe-se como acabou. O negócio foi “abortado”, com aparente prejuízo, pelo menos, para a imagem da PT.
A mentira do Primeiro Ministro (PM) terá ocorrido no Parlamento no dia 24 de Junho.
Confrontado com a notícia publicado no jornal “i”, José Sócrates “nega ter qualquer informação sobre o negócio”.
Nesse mesmo dia, numa estação de televisão, a líder do PSD acusou o PM de “mentiroso”.
O PM mentiu ou não mentiu ?;
Sabia formal ou informalmente do dito negócio ?;
Se sabia, então porque negou ?.
É claro que sabia, mas não o podia dizer. É o chamado “dever de reserva”.
Confirmar era condenar desde logo a operação em curso. O que, de facto, veio a suceder por força das pressões da comunicação social, dos políticos e do Sr. Presidente da República, que no dia seguinte pediu públicos esclarecimentos à PT.
Os negócios não se podem fazer na “praça pública”, os investidores não publicam previamente as suas intenções de compra e/ou de venda, era só o que faltava.
É bom lembrar que o capital social da PT está disperso em bolsa, nacional e estrangeira.
As participações qualificadas detidas por empresas ou grupos nacionais andarão apenas pelos 30% ( incluindo já os 7,3 % da CGD).
O Estado detém realmente 500 acções da categoria A - Golden share - que lhe confere direitos especiais. Mas existe uma forte contestação no seio da UE no sentido da sua proibição, acabando-se assim, por essa via, com a ingerência nas Empresas.
Em conclusão;
O Primeiro Ministro não mentiu, omitiu;
A compra da participação na Média Capital era um bom negócio para a PT;
Não se realizou devido às pressões da comunicação social, dos políticos, e do Presidente da República;
A Comissão de Inquérito, ao fim e ao cabo, serve para continuar a “cozinhar Sócrates em lume brando”, de preferência até depois das Eleições Presidenciais.
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